Cirurgia de Pterígio: O Que Você Precisa Saber Antes de Operar

Se você está lendo este artigo, é porque provavelmente já tem um pedido para realizar a cirurgia de pterígio ou está prestes a passar por uma avaliação oftalmológica. Existe um detalhe essencial que pode impactar diretamente o sucesso da sua cirurgia, e se esse detalhe não for considerado, você deve repensar sua decisão antes de seguir adiante com o procedimento.

A Importância do Transplante de Conjuntiva

Você jamais deve realizar uma cirurgia de pterígio sem transplante de conjuntiva. De preferência, o procedimento deve ser feito com cola biológica, mas também pode ser realizado com pontos.

Se você já tem um pedido de cirurgia e não há nenhuma menção sobre o transplante de conjuntiva, entre em contato com a clínica ou hospital onde a cirurgia está marcada e questione se essa técnica será utilizada. Caso não seja, é altamente recomendável que você desmarque a cirurgia e busque outro profissional que realize o procedimento corretamente.

Por que o Transplante de Conjuntiva é Fundamental?

As técnicas mais antigas de cirurgia de pterígio apresentam altas taxas de recidiva (retorno da “carnezinha” no olho), podendo ultrapassar 50%. Isso significa que, sem a técnica correta, existe um grande risco de a carne voltar e a necessidade de novas cirurgias.

Estudos científicos e a prática clínica demonstram que a cirurgia com transplante de conjuntiva reduz drasticamente esse risco para apenas 1% a 4%. Na minha experiência pessoal, operei cerca de 200 casos de pterígio primário nos últimos cinco anos e apenas dois pacientes tiveram recidiva, ou seja, uma taxa de apenas 1%.

Cirurgias pelo SUS e em Mutirões

Se você pretende fazer a cirurgia pelo SUS, é essencial se informar sobre a técnica utilizada. Na região onde atuo (Sergipe), a grande maioria das cirurgias feitas pelo SUS e em mutirões são realizadas sem o transplante de conjuntiva. Muitos pacientes que operaram dessa forma tiveram que repetir o procedimento duas, três ou até quatro vezes, pois a carne voltou.

O Perigo de Operar com Técnicas Antigas

Caso você faça a cirurgia sem transplante de conjuntiva e o pterígio volte, mesmo que você decida fazer a técnica moderna posteriormente, as chances de recidiva serão até três vezes maiores do que seriam se você tivesse feito corretamente desde o início.

Além disso, quando a carne volta após uma cirurgia mal feita, ela tende a crescer ainda maior e mais inflamada, tornando o novo procedimento muito mais complexo e doloroso. Nesses casos, o olho pode ficar mais vermelho do que antes da cirurgia, aumentando o desconforto e o risco de complicações.

Vale a Pena Esperar e Fazer a Técnica Certa

Se você está considerando fazer a cirurgia com um método mais barato, seja no particular ou pelo SUS, pense bem antes de decidir. Se fosse um amigo ou familiar meu, eu recomendaria juntar dinheiro e esperar um pouco mais para fazer a cirurgia com a técnica moderna e segura.

A longo prazo, essa decisão evitará dores de cabeça, recidivas e procedimentos corretivos mais dolorosos e complexos.

Conclusão

Agora que você entende a importância do transplante de conjuntiva na cirurgia de pterígio, você reconsideraria sua decisão? Se você já tem uma cirurgia marcada com a técnica antiga, vai cancelá-la para esperar e fazer a técnica correta?

Deixe seu comentário compartilhando sua opinião! Se tiver dúvidas, estou à disposição para esclarecer.

E se você quiser saber o que fazer caso o pterígio volte após a cirurgia, deixe sua pergunta aqui nos comentários para abordarmos esse tema em um próximo artigo!

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Dr. Délio Evangelista

Dr. Délio Evangelista

Sócio-fundador da Neo Oftalmologia.
Graduação em Medicina - Universidade Federal de Sergipe;
Residência Médica em Oftalmologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp;
Catarata e Ultrassonografia Ocular - Instituto Suel Abujamra;
Fellow (subespecialização) em Retina Vítreo.

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