Uma dúvida muito comum entre pacientes com ceratocone é: “Afinal, é possível realizar cirurgia refrativa em quem tem ceratocone?” Alguns médicos afirmam que não, enquanto outros mencionam um procedimento chamado Protocolo de Atenas. Mas o que é esse protocolo e como ele funciona? Vamos esclarecer tudo neste post!
Por que Quem Tem Ceratocone Não Pode Fazer Cirurgia Refrativa Convencional?
Para entender a limitação da cirurgia refrativa em pacientes com ceratocone, precisamos compreender como essa condição afeta a visão.
O ceratocone é uma doença que causa afinamento e irregularidade na córnea, a estrutura transparente localizada na parte frontal do olho. Essa irregularidade altera a forma como a luz entra no olho, resultando em uma visão borrada e distorcida. Além disso, o ceratocone pode causar cicatrizes e enfraquecimento progressivo da córnea.
A cirurgia refrativa convencional (como PRK ou LASIK) corrige erros refrativos ao remover tecido da córnea com um laser, tornando-a mais fina. Em pacientes com ceratocone, esse afinamento adicional pode agravar a doença e acelerar sua progressão. Por isso, a cirurgia refrativa a laser geralmente não é recomendada nesses casos.
O Que é o Protocolo de Atenas?
O Protocolo de Atenas é um procedimento que combina dois lasers:
- Eximer Laser – utilizado para suavizar as irregularidades da córnea (o mesmo laser da cirurgia refrativa convencional).
- Laser de Crosslink – fortalece as fibras de colágeno da córnea para impedir a progressão do ceratocone.
Embora o Protocolo de Atenas utilize o mesmo laser da cirurgia refrativa, sua finalidade não é zerar o grau do paciente, mas sim melhorar a regularidade da córnea e aumentar a qualidade da visão com óculos ou lentes de contato.
Como Funciona o Protocolo de Atenas?
O procedimento ocorre em duas etapas principais:
- Ablação Personalizada (Eximer Laser):
- O laser remove uma camada superficial da córnea.
- A partir de exames detalhados, as irregularidades da córnea são mapeadas e corrigidas até um limite de 50 micrômetros (μm).
- Crosslinking Corneano:
- Aplica-se um colírio de riboflavina para saturar a córnea.
- Um laser ultravioleta (UVA) é utilizado para fortalecer as fibras de colágeno, estabilizando a córnea e impedindo a evolução do ceratocone.
Importante: No Brasil, a etapa do crosslink é geralmente realizada no mesmo dia, mas existem protocolos em que ela é feita em um momento posterior.
Por Que o Protocolo de Atenas é Pouco Realizado no Brasil?
Enquanto na Europa o Protocolo de Atenas é amplamente utilizado, no Brasil muitos oftalmologistas dão preferência ao implante de anel intracorneano. Esse procedimento também regulariza a córnea, mas sem afiná-la, tornando-o uma opção segura em casos de irregularidades mais acentuadas.
Protocolo de Atenas ou Implante de Anel: Qual é Melhor?
A escolha entre os dois procedimentos depende da gravidade do ceratocone e das características da córnea.
- Protocolo de Atenas: Ideal para casos mais leves, com irregularidades que podem ser corrigidas dentro do limite de 50 μm.
- Implante de Anel Intracorneano: Mais adequado para casos avançados, pois não afina a córnea e permite ajustes personalizados com diferentes tamanhos de anéis.
Existe Cirurgia Refrativa Para Quem Tem Ceratocone?
Se a córnea for regularizada com sucesso e o ceratocone estiver estabilizado, existe a possibilidade de realizar uma cirurgia refrativa com implante de lente fáquica. Esse tipo de lente é implantado dentro do olho sem mexer na estrutura da córnea, sendo uma opção viável para corrigir graus elevados em pacientes com ceratocone.
Conclusão
O Protocolo de Atenas é uma opção eficaz para melhorar a visão de pacientes com ceratocone, mas não elimina a necessidade de óculos ou lentes de contato. Em casos mais avançados, o implante de anel intracorneano pode ser mais adequado.
Se você tem ceratocone e está em busca de soluções para melhorar sua visão, converse com um especialista para avaliar qual procedimento é mais indicado para o seu caso.
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